Retrô-Filme: Pateta, O Filme

10 12 2009

por Luiz Henrique Oliveira

Acredito que poucas pessoas se lembrem de que lá em 1995 a Walt Disney Pictures lançou um filme tendo como protagonista um de seus personagens mais clássicos e carismáticos. Se não me engano, foi lançado quase na mesma época de Space Jam – sim, pois briguei com meus pais para ver tal longa no cinema, e eles não deixaram. Como prêmio-consolação, levaram-me à locadora onde eu poderia escolher o que quisesse – um perigo para um garoto de nove anos – e lá estava a fita, recém lançada, que eu imediatamente agarrei e não larguei mais. Gostei tanto que fiz minhas malandragens para conseguir copiar o VHS – e vejam vocês, é algo tão querido por mim que tenho essa cópia até hoje (embora só para efeito emocional, já que ela não roda mais). Passei um tempo procurando pelo DVD mas pelo visto não foi lançado no Brasil, até que consegui achar, por intermédio de um blog, um arquivo perfeito de Pateta – O Filme. Deus abençoe a Internet.

 


Acho engraçado como um road-movie em desenho animado pode dar tão certo. Não lembro-me de nenhum outro caso assim; o mais próximo é Procurando Nemo – que só aproveita os alicerces, já que não há estradas no sentido literal da palavra. Conferindo dinâmica ao filme, Pateta não perde muito tempo com firulas: nos vinte primeiros minutos transcorre toda a explicação do enredo (o filho adolescente apaixonado por uma garota que se dá mal e seu pai entrando em cena para “salvar” o garoto). Depois disso é só a aventura rodovia abaixo, similar ao que Sideways faria brilhantemente alguns anos depois. Como todo filme da Disney traz uma mensagem positivista, este não poderia ser exceção: afinal, a importância da relação entre pai e filho é reforçada a cada minuto, assim como os perigos da falta de comunicação e do abismo entre gerações. O Pateta é o mesmo de sempre, mas seu filho insiste em ser moderno: simplesmente não poderia dar certo. Porém, tudo isso mantém-se nas entrelinhas, já que Pateta e Max (“a dupla que é demais”, para quem assistia Disney CRUJ, no SBT) são os grandes astros e chamam toda a atenção para as trapalhadas e desencontros ao longo da película.

 


Ainda assim, se nada disso fosse bom o bastante, ainda restaria On The Open Road, um dos números musicais mais sensacionais que a Disney produziu nos anos noventa. Num particular aqui com vocês, confesso que depois de tantos anos sem ver a cena, fiquei emocionado, de verdade, com direito a olhos marejados e tudo. Isso porque me imaginei criança, sentado no tapete da sala, dançando e cantando loucamente junto com a cena digna de um musical dos anos quarenta. Deu saudade. Assim como dá saudade de desenhos bem-feitos, ligeiros e sem muita pretensão, que os anos levaram e não trazem mais. Não que eu esteja reclamando, pelo contrário – e Up – Altas Aventuras está aí para provar; mas às vezes é bom ser tradicionalista também. Todos nós adoramos a nova safra de desenhos computadorizados, pixelizados, modernos até o último frame. Acontece que as crianças de hoje se acostumam com as sátiras de um Shrek e não se lembram que no passado foram feitas coisas bem legais e dignas de nota. No fim das contas, se for para escolher entre as animações em longa-metragem da década passada qual foi a melhor, o quase octogenário Pateta já ganhou o meu voto.

 






Coluna Jogos Online #24

8 12 2009

Rift



Rift põe você na pele de uma cópia do Wall-e um pequeno robô cuja única missão em toda sua existência é levar guloseimas até seu mórbido chefe. Escalando e ultrapassando obstáculos, a cada fase tal tarefa se torna mais difícil – e divertida, sendo que os comentários do pequeno Rift são terrivelmente hilários (deixando o jogo aberto e inativo, ele dirá coisas como “O jogo não se joga sozinho!”). Simples e, talvez por isso mesmo, apaixonante.

 

Adventurous Eric



O cotidiano felino é cheio de desafios – sempre há aquela balaustrada pedindo para ser escalada ou aquele salto olímpico a ser realizado. Em Adventurous Eric, você acompanha um dia da vida do aventureiro gatinho pela casa de seus donos – e acredite, é bem mais difícil do que você imagina. Para jogar, basta passar o mouse pelos caminhos brancos, sem atropelá-los.

 

Forever Samurai



Às vezes, ser um mero samurai simplesmente não é cool o bastante. E é nessas horas que você agradecerá por ter como companheiro de viagem um gigantesco dragão vermelho – como no caso de Forever Samurai. Usando as setas ou ASDW para se mover e o mouse para atacar, este jogo ágil e eficiente promete horas de diversão.

 
Espero que divirtam-se com os jogos de hoje, e peço desculpas pelo atraso nos posts – fim de ano é sempre bem corrido, né? Bom descanso e até a próxima!





Filme: 500 Dias Com Ela

28 11 2009

Embalando-se num convincente embrulho de comédia romântica, 500 Dias Com Ela trata-se, na verdade, de uma análise crua e direta de um relacionamento unilateral. E nós não poderíamos agradecer mais por isso.

 


Em tempos onde o gênero Comédia Romântica costuma seguir à risca o roteiro pré-fabricado de “Casal se odeia – casal se ama”, 500 Dias Com Ela surpreende desde o princípio: enquanto o desiludido escritor de cartões comemorativos Tom Hansen acredita piamente em almas gêmeas, sua parceira (que não deixa-o chamá-la de “namorada”) Summer Finn prefere viver sem rótulos ou compromissos. Assim sendo, ao longo dos quinhentos dias deste relacionamento Tom tentará, geralmente em vão, mostrar à sua garota o sentido do amor romântico e do destino.

 


Com uma narrativa não-linear, embora muito organizada (somos situados, antes de qualquer arco do roteiro, com o exato dia dentre os quinhentos em que tal passagem se situará), não há como resistir aos apelos tanto dos personagens quanto do emergente diretor Marc Webb: cenas como a apresentação de Summer, que deixa tudo ligeiramente mais bonito e ensolarado, ou a cantoria de Tom após uma noite formidável (no melhor estilo Encantada) são tão adoráveis que fica difícil não cair de amores pelo filme só por elas. Porém, o longa possui ainda muitas outras qualidades dignas de nota, e entre elas está sua maravilhosa trilha sonora – indo de The Smiths até Carla Bruni, tais músicas embalam com perfeição a história do amor inortodoxo de um casal como Tom e Summer. E todos nós já conhecemos um Tom e uma Summer.

 






Coluna Jogos Online #23

24 11 2009

Click Play 2

 


Com visuais e música reminiscentes nos clássicos cartoons mudos, Click Play 2 traz um objetivo muito simples: encontrar o botão de Play que leva o jogador à próxima fase. Para tal, cada instalação oferece um pequeno desafio, como encontrar o botão em meio a um monte de ovos ou montar um quebra-cabeças – Simplista e adorável, não há como não se viciar nesse joguinho.

Cave Chaos



No papel de uma topeira, em Cave Chaos sua missão é meramente chegar são e salvo ao outro lado da fase. Claro que existem empecilhos, e aqui eles não são nem um pouco ignoráveis: todo o caminho está desabando, e é preciso correr para não acabar no fundo do poço.

The Gun Game



The Gun Game é um jogo de tiro horizontal sem frescuras, mas que oferece muita diversão: controlando nada mais do que uma mão empunhando uma pistola, você deve atirar contra os oponentes que, dependendo do modo de jogo – Defense, Offense ou Efficiency – podem ser desde alvos flutuantes até outra mão armada. Prático e rápido, garante horas passadas num piscar de olhos.

 

Aproveitem os jogos de hoje, e até a semana que vem!





Filme: Lua Nova

22 11 2009

Diretamente do 3 Parágrafos, o Luiz Henrique vem dar seu parecer sobre o desparatado embate entre fangirls histéricas e pessoas normais vampiros e lobisomens. Sente-se confortável e boa leitura!




Nunca tive uma grande paixão pela saga Crepúsculo, pelo contrário. Porém, por todo o mundo muitos contavam as horas – literalmente – para assistir à sua segunda parte; e como não poderia deixar de ser, o que mais se via era confusão nas filas, muitos adolescentes sedentos de sangue e legiões de menininhas loucas pelos rapazes sem camisa na tela. Para aqueles que foram ao cinema procurando por algo legal para assistir, talvez não tenha sido uma experiência tão edificante. Afinal, é o típico filme feito para divertir e fazer garotas suspirarem pelos cantos, tanto pelos romances quanto pelos já citados rapazes descamisados.




Se há um problema neste longa, o mesmo reside em seus atores. É impressionante a falta de expressividade, por exemplo, de Robert Pattinson (que interpreta o purpurinado vampiro Edward). Trata-se de mais um aluno reprovado na Faculdade Marcos Frota de Expressão Facial: para todas as situações usa a mesma cara, seja em momentos de tensão ou em firulas românticas. Já Taylor Lautner faz aquilo que sabe: anda pra lá e pra cá descamisado, devido ao “calor corporal”, chegando até a esboçar uma interpretação. Todos os outros tentam, com maior ou menor sucesso, salvar o roteiro absolutamente brega, meloso demais até para os filmes da Meg Ryan – porém, se há algo espantoso entre os atores de Lua Nova, este fator é Dakota Fanning. Os últimos filmes dela deveriam vir com tarja preta no cartaz, pois quase nada que anda fazendo está prestando: entregando uma personagem careteira e cafona, são tantos adjetivos que poderiam ser usados quanto à sua participação que me conterei para que ninguém da Team Jacob ou Team Edward venha me pegar na saída.




Porém, não deixam de existir pontos positivos, pois houve um salto de qualidade do primeiro capítulo da saga para este: muito disso se deve a Chris Weitz, diretor regular e competente que assinou também A Bússola de Ouro – pela sua experiência, o trama ganhou alguma agilidade e relevância, ao contrário do horroroso “Crepúsculo” dirigido por Catherine Harwicke. Ainda assim, pouca coisa se pode fazer com um roteiro tão limitado: embora graças ao sucesso alcançado com a primeira parte a continuação seja bem produzida e perca aquele visual de filme feito no quintal, no fim das contas Lua Nova não passa de uma diversão efêmera, daquelas que você esquece depois de duas semanas. Para quem não é fã da série, o filme não oferece nada de marcante, nada que o faça ser lembrado – aliás, como a maioria dos filmes de franquia que viraram febre nos últimos anos. E não é assim que anda arrecadando milhões essa danada de Hollywood?





Coluna Jogos Online #22

17 11 2009

Yo-ho Cannon



Depois do já clássico Piratas do Caribe, fazer parte de uma tripulação pirata é o sonho de nove em cada dez crianças (e alguns marmanjos). E aqui você controla exatamente uma, pilhando e ameaçando com seus canhões enquanto manda fortes inteiros por água abaixo. Portanto prepare os canhões, mire com o mouse e boa viagem, marujo!

Closure

Closure



Ambientes misteriosos e mal-iluminados são lugar-comum de vários jogos – carregar uma lanterna consigo para enxergar o caminho, também. Porém, em Closure o diferencial fica com o fato de que as coisas simplesmente não existem se não forem iluminadas – ou seja, um chão firme e sólido vira um buraco negro após você passar com a luz. Use as setas para movimentar o protagonista e baixo para apanhar ou soltar o lampião.

Power Up



Dois robôs, um plenamente ativo e outro sem energia. Paral ligar o segundo, basta conectá-los usando várias caixas (?) condutoras – o problema surge quando estas sempre rolam umas sobre as outras, se entrechocam e mantém até animais selvagens trancados dentro de si. Mas nada que não torne este um dos jogos mais charmosos da galinha dos ovos de ouro da pixel art, a Nitrome!

 
Boa sorte com os jogos de hoje, e até a próxima!





Filme: 2012

17 11 2009

Direto do parceiro 3 Parágrafos, vem o Luiz Henrique com a história de quem viu o apocalipse e voltou pra contar. Boa diversão!

 


Roland Emmerich não gosta da gente; isso é um fato. Por ele, já teríamos ido todos parar a sete palmos quando aqueles extraterrestres horríveis invadiram a Terra em Independence Day ou quando o planeta enlouqueceu em O Dia Depois de Amanhã. Claro, isso sem contar o Godzilla, o Soldado Universal… mas de uma forma ou de outra, em seus filmes sempre se dá um jeito de fazer com que os americanos acabem salvando a humanidade. Não entendo muito bem porque são sempre os Estados Unidos pagando de salvador da pátria, já que Emmerich é alemão, mas de qualquer maneira ele parece detestar a nossa raça – ou ao menos não está muito animado com nosso futuro. E como desgraça pouca é bobagem, resolveu destruir-nos novamente usando o famosissimo calendário maia, no tão aguardado 2012. Agora, se você é daqueles sujeitos que adoram uma sessão-pipoca, pode ficar tranquilo: não se decepcionará nem um pouco.

 


Porém, ainda não consigo compreender como é que alguém vai ao cinema ver um filme como este esperando por uma história coerente e inovadora. Todo mundo sabe que filmes-catástrofe são feitos para mostrar o poder dos efeitos visuais, e o que podem fazer conosco usando seus artifícios. No caso, nada que tenha sido lançado neste ano chega aos pés da competência técnica mostrada aqui: se o diretor adora acabar com a humanidade, pelo menos o faz com talento, pois tudo é absurdamente real e o design de som que faz com que todos entrem naquele desespero mostrado na tela. O que acontece é que os espectadores acabam por levar a película muito a sério, e dá-se a impressão de que tudo que o cinema produz precisa ser uma obra de arte em todos os sentidos. Ora, 2012 é impressionante, sim, mas no que diz respeito a roteiro é um horror: brega, cafona, previsível, até remetendo a Armageddon. Ninguém acredita muito que o mundo possa acabar porque os raios solares vão derreter o centro da Terra, mas quem se importa? A gente assiste coisas assim justamente para se enfiar no meio dos destroços. A única diferença entre esta e as outras obras que já citei é que 2012 é o mais triste, o mais desalentador do gênero.

 


Não é de deixar maluco quando aparece um ou outro pseudointelectual saindo da sessão reclamando que os personagens não tem profundidade ou que não queriam estar ali, pois preferiam ver um filme do Godard? Os produtores não criaram tudo isso para ganhar um Oscar de Melhor Filme, mas para faturar às nossas custas. E nós, claro, sempre caimos. 2012 não entrega nada mais do que se espera dele – muita destruição, dramas pessoais insossos e a cara de desespero de John Cusack. Ao inferno com a mensagem panfletária e americanizada do diretor Emmerich; pois tenho certeza de que todos sairão felizes da sala de exibição: você, tendo se desligado por duas horas da realidade e entrado na paranóia profética maia, e os produtores que ficarão muito contentes com o faturamento na bilheteria, que já está bem alta. E enquanto Roland Emmerich não gostar de nós, seremos felizes; mal posso esperar para ver como ele vai nos matar na próxima vez.