por Luiz Henrique Oliveira
Acredito que poucas pessoas se lembrem de que lá em 1995 a Walt Disney Pictures lançou um filme tendo como protagonista um de seus personagens mais clássicos e carismáticos. Se não me engano, foi lançado quase na mesma época de Space Jam – sim, pois briguei com meus pais para ver tal longa no cinema, e eles não deixaram. Como prêmio-consolação, levaram-me à locadora onde eu poderia escolher o que quisesse – um perigo para um garoto de nove anos – e lá estava a fita, recém lançada, que eu imediatamente agarrei e não larguei mais. Gostei tanto que fiz minhas malandragens para conseguir copiar o VHS – e vejam vocês, é algo tão querido por mim que tenho essa cópia até hoje (embora só para efeito emocional, já que ela não roda mais). Passei um tempo procurando pelo DVD mas pelo visto não foi lançado no Brasil, até que consegui achar, por intermédio de um blog, um arquivo perfeito de Pateta – O Filme. Deus abençoe a Internet.

Acho engraçado como um road-movie em desenho animado pode dar tão certo. Não lembro-me de nenhum outro caso assim; o mais próximo é Procurando Nemo – que só aproveita os alicerces, já que não há estradas no sentido literal da palavra. Conferindo dinâmica ao filme, Pateta não perde muito tempo com firulas: nos vinte primeiros minutos transcorre toda a explicação do enredo (o filho adolescente apaixonado por uma garota que se dá mal e seu pai entrando em cena para “salvar” o garoto). Depois disso é só a aventura rodovia abaixo, similar ao que Sideways faria brilhantemente alguns anos depois. Como todo filme da Disney traz uma mensagem positivista, este não poderia ser exceção: afinal, a importância da relação entre pai e filho é reforçada a cada minuto, assim como os perigos da falta de comunicação e do abismo entre gerações. O Pateta é o mesmo de sempre, mas seu filho insiste em ser moderno: simplesmente não poderia dar certo. Porém, tudo isso mantém-se nas entrelinhas, já que Pateta e Max (“a dupla que é demais”, para quem assistia Disney CRUJ, no SBT) são os grandes astros e chamam toda a atenção para as trapalhadas e desencontros ao longo da película.

Ainda assim, se nada disso fosse bom o bastante, ainda restaria On The Open Road, um dos números musicais mais sensacionais que a Disney produziu nos anos noventa. Num particular aqui com vocês, confesso que depois de tantos anos sem ver a cena, fiquei emocionado, de verdade, com direito a olhos marejados e tudo. Isso porque me imaginei criança, sentado no tapete da sala, dançando e cantando loucamente junto com a cena digna de um musical dos anos quarenta. Deu saudade. Assim como dá saudade de desenhos bem-feitos, ligeiros e sem muita pretensão, que os anos levaram e não trazem mais. Não que eu esteja reclamando, pelo contrário – e Up – Altas Aventuras está aí para provar; mas às vezes é bom ser tradicionalista também. Todos nós adoramos a nova safra de desenhos computadorizados, pixelizados, modernos até o último frame. Acontece que as crianças de hoje se acostumam com as sátiras de um Shrek e não se lembram que no passado foram feitas coisas bem legais e dignas de nota. No fim das contas, se for para escolher entre as animações em longa-metragem da década passada qual foi a melhor, o quase octogenário Pateta já ganhou o meu voto.














Parabéns pelo extremo cuidado e talento com este espaço, Thiago.
Além da forma criativa, diferente e sintética que conceitua seus posts, eu gostei dos temas também, dos filmes discutidos.
abraço e volto !
Dá um aperto imaginar que teremos que nos esforçar em explicar aos nossos filhos que isso era bom. E, o pior, eles não vão se interessar.
Um dos meus personagens favoritos da Disney.
Te segui no twitter.
Como faço para ter uma copia dete desenho?
Também gostaria de saber.
Cheguei aqui quicando de site em site e me deparo com um review de um dos filmes que mais gostava na infância.
Fiquei feliz não só por me trazer de volta imagens remotas da infância, mas por saber que existem pessoas tão nostálgicas – se me permite a palavra – quanto eu.
Parabéns pela escrita, pelo review e pela memória.
Pateta – O filme também foi um dos meus preferidos quando era criança. Meu primo tinha o VSH, mas morava em uma cidade do interior, então quando ia para lá, simplesmente não parava de assistir. Quando voltava para casa, ia na locadora e pegava várias vezes.
Porém, um belo dia, a fita do meu primo também parou de rodar. Foi horrível (XD). Até hoje dou uma procurada para ver a Disney relança em DVD, mas é difícil.
Eu adoro filmes computadorizados (Shrek, A Era do Gelo, Procurando Nemo, Os Incríveis), mas os filmes mais tradicionais da Disney eram muito lindos, muito bem elaborados, simplesmente perfeitos. Sinto falta desse estilo de desenho atualmente. Era de uma beleza sem igual. Os digitalizados tem muitos efeitos visuais e as cores são bem fortes, mas aqueles desenhos feitos à mão eram incríveis justamente por isso.