Luiz Henrique, autor do recomendadíssimo 3 Parágrafos, é quem nos oferece a resenha de hoje. Puxem uma cadeira e economizem dinheiro pro cinema, pois pelo que ele fala, o filme promete!

Particularmente possuo um apreço especial por animações – seja qual for, e desde criança: passava as manhãs assistindo à Vovó Mafalda apresentando aqueles desenhos (e claro, morrendo de medo dela). Via Pernalonga, Patolino, Pica-Pau, Gato Félix e tantos outros que só quem foi criança lá no fim dos anos 80 ecomecinho dos 90 teve o prazer de saborear. Porém, foi aí que apareceu o danado do Toy Story e deixou o mundo dos desenhos de cabeça pra baixo. A primeira animação completamente computadorizada apresentou ao mundo a Pixar – produtora que já guardava um Oscar de Curta de Animação ganho em 1989 – então praticamente desconhecida do público. Me lembro de ter visto o filme e pensado, no alto dos meus dez anos de idade, que aquilo era o máximo, era o futuro. Mal sabia que aquela empresa ainda iria surpreender muito, até chegar ao seu máximo com o filme sobre o qual falo agora, Up. Ou será que não?

Partindo de uma premissa muito simples, o diretor Pete Docter (uma das mentes por trás de Monstros S/A) criou uma fábula maravilhosa sobre a vida, morte, destino e balões de hélio. Contando a história de Carl, um senhor de setenta e poucos anos que vive pelos cantos resmungando a morte de sua esposa. Isso até que, não agüentando mais a pressão para vender seu lar para uma construtora e a ameaça de parar num asilo, decide cumprir uma velha promessa e viajar para a América do Sul, levando na bagagem apenas a sua casa, toda amarrada em balões. É claro que não poderiam faltar imprevistos pelo caminho, e sem querer ele acaba levando também Russell, simpático escoteiro gordinho de oito anos. Junto de seu companheiro forçado, Carl precisa chegar até as matas das Américas enfrentando várias situações, desde um achar um pássaro raríssimo até um cão falante.

Embora tenha ficado com cara de resumo de Sessão da Tarde, o que eu escrevi não expressa de forma real a genialidade da história: ela é uma delícia de acompanhar. Não só pelo fato de Carl ter um arco dramático impressionantemente escrito para uma animação, nem por Russell ser um personagem muito – mas muito! – carismático, na realidade o roteiro é que é brilhante. Não, não é à toa que praticamente todos os anos os roteiristas dos da Pixar ganham indicações ao Oscar de Roteiro Original – fico aqui pensando no que eles ainda serão capazes de criar. Up é divertido, emotivo quando necessário e tem um dos finais mais legais a que já assisti, desses que fazem chorar mesmo. Confesso que chorei vendo, e assumo isso sem problemas. E quando um simples desenho consegue despertar tantas emoções num adulto, é porque é algo realmente especial. Daí retorno àquela pergunta que fiz no final do primeiro parágrafo, respondendo a mim mesmo: se, de um filme cujo personagem principal é um senhor de idade, conseguem fazer uma obra-prima (com certeza entre os dez melhores filmes dessa década), não sei mais do que são capazes. Sendo assim, só nos resta esperar para ver o que é que a Pixar vai nos aprontar no próximo inverno. Até lá!














[...] filme, numa colaboração com o blog Neptune Blues, pertencente ao Thiago – se quiser ver, clique aqui. Mas acredito que, diante da importância que o mais novo lançamento da Disney/Pixar passou a ter [...]
[...] que os anos levaram e não trazem mais. Não que eu esteja reclamando, pelo contrário – e Up – Altas Aventuras está aí para provar; mas às vezes é bom ser tradicionalista também. Todos nós adoramos a nova [...]